Desgosto de Amor

Na altura que se aproxima o dia dos namorados - 14 de Fevereiro em Portugal, é possível que nem todas possam estar a comemorar.
Alguns estão a sofrer com o fim do namoro, a passar por um desgosto de amor e o coração encontra-se "partido".
És um desses casos? Procura ajuda, acredita que é o melhor medicamento.
Ainda assim, que chegastes aqui para ler sobre o assunto, a boa noticia, é que vais conseguir ultrapassar esse sentimento, pois na prática o coração não parte e a dificuldade passa por entender o que estás a sentir.

Um primeiro alerta sobre a Vingança. A razão para que as coisas não tenham resultado pode ser a mais obscena ou sem explicação possível, mas nada é mais absurdo e obsceno e sem explicação do que a vingança, seja ela de que forma for.
Há as que batem nos namorados/as que traíram. Há as que partem pratos e destroem metade da casa quando ele/a acaba tudo. Há as que lhe partem os vidros do carro. Há as que fazem perseguições, que pintam paredes, que fazem ameaças, que difamam nas redes sociais, as que fazem chantagem, que massacram com telefonemas e mensagens insultuosas, as que fazem esperas à porta de casa e do emprego, há de tudo e mais alguma coisa.
Aqui estou eu a dar exemplos armado em moralista, mas é fácil cair no sentimento de vingança. O difícil é libertar-se dele.

Depois de uma relação acabar, só tens uma coisa a fazer: virar costas e seguir com a tua vida, esquecendo a pessoa que decidiu ficar para trás.
É muito mais fácil dizer do que fazer, mas, a bem da tua sanidade mental, não tens alternativa.
Andar a pensar nisso só te destrói, só te faz perder tempo de vida, só te deixa preso física e emocionalmente a uma pessoa que decidiu fazer parte do passado e não voltará a fazer parte do presente.
Se ainda assim, não consegues ultrapassar e seguir em frente e continuas sem aceitar ou entender o que sentes, vou tentar fazê-lo, e começo por dar-te a certeza que o amor é benéfico, sim é. O amor enquanto dura, faz-nos sorrir, faz-nos sentir felizes, livres, e acarinhados. Contudo. o desgosto de amor pode ser tão cruel ao ponto de anular toda essa felicidade.
Segundo os entendidos existem 7 fases pelas que passas num desgosto de amor (adaptado de Clara Godinho), e entende-las ajuda a compreender o que se está a passar contigo.
Tal como as etapas de uma doença, todas as fases têm sintomas, e todos os sintomas vão-se tornando gradualmente e consequentemente piores.
Nem sempre é fácil perceber o que se passou, ou se está a passar e é muito fácil cair numa depressão ou algo pior. O mais importante passa por reconheceres e entenderes os teus sentimentos, para conseguires ultrapassar a negação e superares a tristeza sem te perderes na última fase.
  • Fase 1 - Vazio - Deixas de sentir. Não sentes absolutamente nada pois tentas acreditar que tudo é uma mentira. Tentas esquecer o dia em que sofrestes o desgosto de amor, com a companhia dos amigos, mas sem contares o que aconteceu.
  • Fase 2 - Esperança - Para os/as mais teimosos e persistentes, assim como continuam a acreditar que “ainda é possível”, continuam também a lutar por essa esperança. Metem na cabeça que talvez, as provas não foram suficientemente fortes ou numerosas, e atiram-se de novo, sem sequer ver se existe chão ou razões para ter esperança.
  • Fase 3 - Colapso - A pessoa que se ama, deixa de estar lá. Já não existe como dantes, não voltará a ser a ajuda que sempre acreditámos ter sempre que precisamos. “Tormento é viver sem esperança”. As lágrimas não são escassas, a dor no peito é tão grande como se o coração tivesse entrado em colapso. Uma dor cruel, respiração desesperada, e o isolamento do mundo, pois não compreende a catástrofe que existe dentro de ti.
  • Fase 4 - Renovação da Esperança - Existe a tentativa de voltar a reaver aquela amizade forte, que antes se dizia indestrutível. Criar laços, fraternos, talvez, tentar atenuar a dor, continua por perto.
  • Fase 5 - Recaída - A aproximação faz sentir amor de novo. Com uma diferença, é um amor que sabes que no fundo magoa, e afasta quem mais se gosta. Sentes-te sozinho(a), e fazes um esforço para dar espaço. Tiras férias do amor, e libertas quem nele estava contido.
  • Fase 6 - Refúgio - Começa a nascer um sentimento monótono e pessimista. Nem todos compreendem os teus desabafos por isso encontras refúgios silenciosos e anónimos (que não ouvem, nem reclamam): comida, chocolate, gelados, álcool, droga, medicamentos… algo que nem sempre fazem bem à tua saúde, mas fazem-te sentir melhor. Ou podes ver isso como um castigo, por que em último caso, sentes-te como o/a maior culpado/a.
  • Fase 7 - Terminal - Quando a música te revolta, a voz dos amigos não vale nada, os ciúmes apoderam-se de ti ao ver a pessoa que amas com outro/a, ou mesmo ao sentires que tudo te ignora, existe aquela vontade de desaparecer. E, talvez um sentimento egoísta, de quereres morrer. E pensas em cometer uma loucura. Porque isto não acontece só nas histórias de amor como Romeu e Julieta, quando se ama de verdade, e depois de cair, não encontrares ajuda, parece que só resta desaparecer.
Durante o percurso das 7 fases o mundo parece desmoronar, mas o teu organismo também. A separação pode doer mais do que só na alma e os danos deixam de ser apenas emocionais para se manifestarem na tua saúde física e para os/as mais empíricos e científicos deixo algumas das manifestações físicas e explicação médica:
  • No Sistema Imunitário, as defesas ficam em baixo. O choque emocional abala a capacidade do teu organismo de se proteger de vírus, bactérias e outras agressões. Não te admires se tiveres um episódio de herpes labial depois de anos em que não deu sinais de vida. Numa separação, os sistemas imunitários enfraquecem porque há uma menor proliferação de linfócitos e células NK (natural killers ou assassinos naturais, os ‘agentes secretos’ que matam os agressores). O risco de contrair vários tipos de infecção cresce.
  • As Hormonas que originam tensão alta e dores de cabeça. A emoção forte que vives pode fazer com que as hormonas que o teu corpo produz como reacção ao stress (como a epinefrina ou o cortisol, que te prepara para reagir fisicamente a situações de perigo) fiquem desreguladas e afectem a tua saúde. Uma das consequências pode ser o aumento da tensão arterial. Outra é o acréscimo de dores de cabeça. A situação de stress emocional continuado podem levar a rigidez muscular, que desencadeia a sensação de músculos doridos e tensos.
  • Dor no corpo e na mente (Cérebro). Sempre que o/a beijavas ou fazias amor como se não houvesse amanhã, o teu cérebro produzia uma quantidade de neurotransmissores, como a oxitocina ou dopamina, responsáveis por sensações de prazer, satisfação e união. Com a separação dolorosa, esses níveis descem, deixando-te muito mais vulnerável à acção das hormonas do stress. O sono e o apetite, controlados pelo cérebro, também sofrem alterações. Se não conseguires pregar olho não te admires, mas, cuidado vai levar-te ao cansaço extremo. A rejeição emocional activa zonas do cérebro responsáveis por sinalizar a dor física, como o córtex somatossensorial e a ínsula dorsal posterior.
  • O teu Sistema Gástrico também se ressente e sentes o "estômago às voltas". O teu sistema nervoso está em hora de ponta e os sinais que envia ordenam ao estômago que abrande a digestão. O resultado pode vir na forma de dores de estômago, perturbações gastrointestinais e até perda de apetite – abre uma excepção para os efeitos antidepressivos do chocolate preto.
  • A Pele e o Cabelo - A tristeza que cansa a beleza. Uma das principais reacções da pele ao stress é o aumento das secreções sebáceas. Poros entupidos e mais irritações de pele, ou até acne, são a forma de ela manifestar o que te vai por dentro – angústia, ansiedade e aquele sentimento de perda. A pele, como primeira barreira de defesa do organismo contra agressões, também perde parte das suas funções imunitárias – sim, isto anda mesmo tudo ligado. Esta temporada de tristeza e stress emocional que vives, pode também influir directamente no ciclo de crescimento do teu cabelo. É comum começar a perder mais – chama-se a esse processo eflúvio telógeno, em que o cabelo cai quando 'empurrado' por um novo pelo a crescer no folículo. Mas só três meses (em média) depois do evento que causa o stress emocional – que é como quem diz, a separação – é que a queda de cabelo se manifestará. Não te preocupes, voltará tudo ao normal numa questão de poucos meses.
  • O Coração... ai o coração, esse maluco. O síndroma do coração partido. Em casos extremos, o coração pode dar mesmo sintomas de estar a falhar. Os cardiologistas chamam-lhe cardiomiopatia de Takotsubo ou cardiomiopatia por stress. Os sintomas, incluem fortes dores no peito, falta de ar, fraqueza generalizada, ritmo cardíaco irregular e podem até dar a sensação de que estás a ter um ataque cardíaco. Em causa estará uma reacção negativa ao aumento vertiginoso de hormonas do stress, como a adrenalina, que provocam um estreitamento nas artérias que ligam ao coração e o sangue não é bombeado de forma eficiente. A boa notícia é que a situação é reversível: ao fim de um curto período tudo volta ao normal. Ainda assim, por uma questão de precaução, deves levar a sério os sintomas e chamar o 112-INEM se necessário. São raros os casos em que chega a ser fatal ou que deixe sequelas, como passar a ter um ritmo cardíaco irregula
Quando pensavas que o vosso filme se iria chamar “Sinais de Amor”, o mundo perde a cor e a luz, e assume o nome de “Sinais de Morte”. E quando o amor te quer dar outra oportunidade, por vezes é tarde demais. Mas NÃO: NUNCA é tarde de mais para amares de novo.
A vida não é apenas amor, por isso o importante é focares-te naquilo que te faz sentir bem e esquecer ou apaziguar a imensa dor que sentes agora.
  • Trata-te bem – Podes sentir-te de tal forma mal depois do desgosto de amor, que poderá parecer que estás doente. Deixa que outras pessoas se preocupem-se contigo. Dorme e alimenta-te bem. Mais importante que tudo, permite a ti próprio/a poderes chorar. É horrível no inicio mas vais sentir-te melhor depois disso. Acima de tudo trata-te bem, a tua cabeça e corpo tiveram um choque, mas tudo vai acabar por passar. Aprende a criar um maior amor próprio e melhorar a tua auto-estima.
  • Cuidar da vida social – Os teus amigos poderão ajudar-te a ultrapassares mais facilmente o sucedido. Mais tarde ou mais cedo vão convidar-te para ires ao cinema com eles, jantar fora, etc. De início não vais estar muito disposto/a a isso, mas vais ficar assim que descobrires que existem recompensas no facto de estar sozinho/a outra vez. Aliás vais perceber que esta é a altura certa de fazer coisas que não fazia quando tinhas alguém. Agora podes ir ver o filme que gostas, ouvir a música que gostas, ou até ir de férias para um destino à tua escolha.
  • Olhar para trás, para ver em frente – Assim que ultrapassar a fase de estar doente e chocado(a), olhe para o seu relacionamento passado, mas com olhos de ver e não com aquele filtro de 100% perfeição. Faça uma lista de coisas que não sente saudades em relação ao seu/sua ex. Ao princípio poderá pensar que amou tudo nesta pessoa, mas isso é mentira e vai perceber isso. E os momentos em que parecia sentir-se estúpido(a), sozinho(a), as piadas baixas, as discussões, ou até como esta pessoa não gostava do nosso melhor amigo. Existem imensos elementos que não resultaram antes e esta é a altura certa para pensar neles. Torna-se necessário aprender com o amor falhado. Veja também as coisas que aprendi com as ex-namoradas.
  • Recomeçar – Por vezes quando o coração está partido, queres encontrar alguém que te ame o mais depressa possível. Isso é natural – mas incorrecto e inapropriado. O que poderá acontecer é confundires a tua vida amorosa a curto prazo. Podes até acabar por te envolveres sexualmente com essa pessoa. Mas, as emoções e os sentimentos não irão aparecer assim tão facilmente, por isso diverte-te, mas não procures nada sério se ainda não tiveres ultrapassado a história anterior. Considera-te curado/a quando passares um dia inteiro e não pensares naquela pessoa e nessa altura provavelmente poderás pensar em apostar numa nova relação.
Chegares a este paragrafo sem dormires já é uma coisa boa. E provavelmente, ainda estás mais confuso/a. Mas confusão é tudo o que sentes agora.
Mas uma coisa é simples e certa, quando dás demasiada importância a uma pessoa sem o merecer, só lhe estás a alimentar o ego, já que ela fica a julgar de que é a coisa mais importante na tua vida e normalmente nem percebe o impacto que o fim da relação teve.
Se virares as costas e desapareceres do mapa, estás a mudar o jogo a teu favor. E do outro lado vão começar a surgir as dúvidas contrárias: "afinal, eu não era assim tão importante", ou "será que ele/a já arranjou outro e esqueceu-me assim tão depressa".
O objectivo deste "virar de costas" não deve ser o magoar a outra pessoa ou lançar dúvidas - isso é a consequência inevitável.
O objectivo deve ser o de te focares em ti, o de não perderes o rumo da tua vida. Porque não há ninguém mais importante do que TU.
Porque ninguém te vai devolver o que perdestes às "cabeçadas na parede". Porque quanto mais tempo deixares o teu coração a sofrer, a tua cabeça a remoer no passado, menos disponibilidade vais ter para o futuro.
E é o futuro que te interessa.

Superar um desgosto amoroso é um processo diferente para cada um, e no teu caso também o será. Há quem ultrapasse mais rapidamente, e quem demore mais um bocadinho. Mas todos superam.
E se pensares assim - "vai chegar o dia em que te vais apaixonar novamente" -, então, tudo é mais simples.
Enfim, o mais importante é saberes que não acaba o mundo, aliás, o mundo está cheio de pessoas interessantes, que muitas vezes nos completam com a sua forma única, que nos fazem esquecer tudo, que nos fazem sentir bem, amados.
É necessário que consigas ultrapassar a negação e perceber porque foi o fim mesmo que do outro lado nunca recebas uma explicação (esquece simplesmente).
Não existe apenas uma pessoa para nós, e nem sempre se encontra à primeira. Não desistas... "vai provando até encontrares o sabor perfeito".
Por isso, não tenhas medo de perder uma, pode custar, mas já pensastes se realmente perdestes?
Um desgosto de amor não é o fim do mundo, pode vir a ser o inicio de tudo... e no fim quem mais importa és TU!

Acreditar...

Quero acreditar nas pessoas...
Naquelas que possuem algo mais...
Naquelas que, às vezes, confundimos com anjos e outras divindades...
Digo daquelas pessoas que existem nas nossas vidas e enchem o nosso espaço com pequenas alegrias e grandes atitudes...
Falo daquelas que nos olham nos olhos quando precisam de ser verdadeiras... que tecem elogios...que pedem desculpas com a simplicidade de uma criança...
Pessoas firmes... Verdadeiras, transparentes, amigas, ingênuas...
Que com um sorriso, um beijos um abraço, uma palavra nos fazem felizes...
Aquelas que erram... Acertam...
Não tem vergonha de dizer não sei...
Aquelas que sonham...
Aquelas amigas...
Aquelas que passam pela nossa vida e deixam a sua marca... as saudades..
Aquelas que fazem à diferença...
Aquelas que vivem intensamente um grande amor...

Em Casa Somos Sócios.

Um amigo vem a minha casa tomar café, sentamo-nos e conversamos, falando sobre a vida… “Vou num instante lavar os pratos que ficaram por lavar”, disse-lhe.

Ele olha para mim como se eu lhe tivesse dito que vou construir uma nave espacial. Então ele diz-me com admiração, mas um pouco perplexo: “Ainda bem que ajudas a tua mulher, quando eu o faço a minha mulher não elogia. Ainda na semana passada lavei o chão e nem um obrigada.”

Voltei a sentar-me com ele e expliquei-lhe que eu não ajudo a minha
mulher. Como regra, a minha mulher não necessita de ajuda, ela tem necessidade de um sócio. Eu sou um sócio em casa e por via dessa sociedade as tarefas são divididas, mas não se trata certamente de um apoio à casa.

Eu não ajudo a minha mulher a limpar a casa porque eu também vivo aqui e é necessário que eu também limpe.

Eu não ajudo a minha mulher a cozinhar porque eu também quero comer e é necessário que eu também cozinhe. Eu não ajudo a minha mulher a lavar os pratos depois da refeição porque eu também usei esses pratos. Eu não ajudo a minha mulher com os filhos porque também são meus filhos e a minha função é ser pai. Eu não ajudo a minha mulher a estender ou a dobrar a roupa, porque também é roupa minha e dos meus filhos.

Eu não sou uma ajuda em casa, sou parte da casa. E no que diz respeito a elogiar, perguntei-lhe quando é que foi a última vez que, depois de ela acabar de limpar a casa, tratar da roupa, mudar os lençóis da cama, dar banho aos filhos, cozinhar, organizar, etc., ele lhe tinha dito obrigado?

Mas um obrigado do tipo: wow!!! Mulher minha! És fantástica!!! Parece-te absurdo? Parece-te estranho? Quando tu, uma vez na vida, limpaste o chão, esperavas no mínimo um prémio de excelência com muita glória… Porquê? Nunca pensaste nisso, amigo?

Talvez porque para ti é um dado adquirido que tudo seja tarefa dela? Talvez te tenhas habituado a que tudo isto seja feito sem que tu tenhas de mexer um dedo? Então elogia como tu querias ser elogiado, da mesma forma, com a mesma intensidade. Dá uma mão, comporta-te como um verdadeiro companheiro, não como um hóspede que só vem comer, dormir, tomar banho… Sente-te em casa. Na tua casa.

Afectividade do Novo Milénio...

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milénio.
As relações afectivas também estão a passar por profundas transformações e a revolucionar o conceito de amor.
O que se procura hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de se estar acompanhado, e não uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona as suas características, para se amalgamar ao projecto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei.
Se sou manso, ela deve ser agressiva, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos a trocar o amor de necessidade, pelo amor de desejo.
Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas, em especial as do sexo masculino, estão a perder o pavor de ficar sozinhas, e aprender a conviver melhor consigo mesmas. Estão a começar a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. A outra, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe/princesa ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir-se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos a entrar na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar a sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. O nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-la ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação,há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes temos que nós próprios aprender a perdoar-mo-nos a nós mesmos.

Amem o Vosso Corpo...


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